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sexta-feira, 22 de março de 2024

Apenas contra o inimigo.

 Quanto mal um ser humano é capaz de carregar em si?

Estive pensando sobre isso, numa ocasião em que recebi gratuitamente uma enxurrada de maledicência, cruéis palavras, muitas mentirosas, outras abrindo e reforçando feridas que muito custaram para cicatrizar... O que mais me chamou a atenção foi notar certo padrão nesses rompantes ataques direcionados a mim. Seria este: em primeiro lugar, parte sempre de pessoas muito amadas por mim, pessoas que recebem de mim o máximo do meu amor, do meu compromisso, da minha devoção, dos meus esforços, da minha gratidão, do melhor de mim. Depois, sempre nos momentos em que, ou estou precisando muito de amparo e apoio emocional, ou estou bem demais a ponto de me surpreender negativamente com tal explosão.

Ora, você pode analisar comigo e pensar:  "Que nada! Exagero seu! Quanto drama! Todos têm direito de discordar ou de dizer o que pensam." E sim, você estaria com a razão, não fosse a parte citada em que a pessoa desfere golpes sucessivos à feridas em processo de cicatrização quase finalizados. Traumas que quase custaram a minha vida, em algum momento custaram minha lucidez e comprometeram meu bem estar. É aquele antigo dizer popular: pisar no calo na prática. Quem pisa sabe que o calo existe e sabe que vai doer, que vai deixar de ser apenas um calo (já dói e incomoda) e vai se tornar uma ferida maior. É muito cruel. É maquiavélico.

Parte dessa teoria particular consiste em receber inesperadamente o conforto vindo de alguém desconhecido e que jamais voltarei a ver, com palavras suavizadoras e acolhedoras, demonstrando uma sensibilidade ímpar e impactante, a ponto de me acalmar e consolar. Não é toda a vez, mas já aconteceu muito, por isso faz parte do meu estudo.

Então me deparo com meu delírio conspiratório, classificando como agentes causadores Deus e o demônio. O malvado ser quando me percebe confortável emocionalmente, portando paz de espírito, força interior, a tríade: foco/força/fé; incomoda-se. E sabe que se usar outros caminhos não me atinge. Então, usa por possessão pessoas a quem estimo em momentos que estou "desarmada". E consegue me atingir. Então vem Deus, que tudo sabe/vê/pode e usa alguém desconhecido para me confortar e tira do meu alcance, para que não se torne conhecido e então seja o próximo agente de Satã a me bombardear; também por saber que se usasse um conhecido, de tão ferida, não chegaria nem perto.

Deveria então eu tomar providências cabíveis e não ter mais afeto por ninguém? Adotar medidas restritivas e me isolar emocionalmente afim de não receber mais tanta maldade pronunciada? Penso que talvez devesse. Mas não consigo, fui construída a partir de uma matéria prima divina, onde o mais importante nessa guerra é de que lado EU estou e por quais ideais eu luto, com que armas me defendo. Ainda preciso permanecer lutando, a guerra só termina quando eu ou o inimigo morrer. Até então, sigo nesse formato, armada até os dentes em guarda, mas apenas ataco o inimigo. Os apreciados, se estiverem em lados opostos, vão continuar me atacando e me atingindo. Mas não me rendo nem desisto da vitória. Cada um preste contas de seus atos a Deus no dia final. Minhas armas serão usadas apenas contra o inimigo. 



sexta-feira, 8 de março de 2024

Novo mandamento? #sextoujovemiasdvant

 O mundo hoje é uma mistura estranha de ceticismo, descrença, indiferença espiritual, dureza de coração, fanatismo apaixonado, extremismo e terrorismo. Parece não haver equilíbrio no reino humano. O “ tudo posso” tornou-se combustível para o “nada temo”, sem regras ou roteiros, apenas o desejo próprio, o “ quero=posso”.

Princípios flutuam como temperos desidratados nesse sopão moral, até que alguém se interesse e mexa tudo. Neste contexto, estamos aqui para - como Sal – salientar a verdadeira importância desses princípios (ou mandamentos) tão ignorados e/ou refutados por essa geração insana e insossa. E é entendendo o real sentido do que nos disse Deus sobre os Seus mandamentos que saberemos como temperar de fato essa panela ardente chamada Terra. Afinal, novo mandamento?

Arte: @matheus_beotto_


segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Cruel criatura...

 Talvez o maior problema da decepção seja a sua incapacidade de matar o amor.

A gente se decepciona e continua amando, como uma tortura, à semelhança de uma goteira que não cessa, inicialmente imperceptível, mas pouco a pouco insuportável até se tornar letal.

E o amor parece fazer parte da terrível conspiração, pois ainda que fraco, ferido, magoado, se arrasta até a esperança e unidos vão sobrevivendo de migalhas, aguardando um arrependimento repentino ou um pedido de perdão glamouroso, ou até uma mudança brusca de comportamento da parte ofensiva.

Enquanto isso, do lado de fora, esboçando sorrisos superficiais para manter as aparências, vamos criando mais um ninho de espectativas famintas e ávidas por seu precioso alimento:  decepções.

Círculo vicioso, terrível e implacável. A pergunta é: PORQUÊ PERMITIMOS? 

Não permitimos. A realidade é que a maioria de nós já nasce infectado pela fé inocente no ser humano, a mais cruel das criaturas.


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

"Arrependei-vos"!

 Assunto que incomoda é mexer com nossos arrependimentos.

Há quem diga que não tem nada do que se envergonhar na vida, uma vez que houve aprendizado, foi útil.

Do meu ponto de vista merda só serve para sujar, feder e mostrar que dentro de nós existe muito lixo inútil. Assim considero as peripécias que aprontamos pela vida, tendo como bônus esse sentimento horrível que mistura vergonha, raiva, auto-crítica e medo.

Se há algo útil numa coisa com esse composto é servir de sinalização para o desastre. Arrependimento é útil e bom quando usado para recomeço, auto-perdão, fortalecimento da esperança e certeza de que existe alternativa.

Não tem gosto bom. É  realmente preferível não precisar se arrepender. Mas, se houver tropeços, principalmente por teimosia ou desvio de conduta, que nos seja permitido o arrependimento. 

Não, ele não mata! Mas tem um gosto não muito agradável e pode levar anos para se decompor e enfim libertar.

O Papai do céu ama ainda mais a cria arrependida. Não são raros os textos referindo arrependimento. E ele diz: "Arrependei-vos"...

Pense nisso, pode ser transformador!


quarta-feira, 14 de junho de 2023

Enjoy!



não aceite...

nada que te incomode

venha de onde vier

se te incomoda

é porque não deveria existir

seja como for

onde for

quem for

se incomoda é sinal que está em desacordo com você

então porquê deixar pra lá?

fingir que está tudo bem?

fazer sala pra sofrimento?

se permita indignar

indagar

questionar

antes de agonizar e sufocar em mágoas

antes de ser irreversível

irreparável

se toque

se goste

se mime

se admire

se ame

se permita 

dê licença para si mesmo

e passe

desfile

destile

tire os olhos do chão

ganhe altura

desfrute a vista panorâmica

o horizonte é lindo

sacuda a poeira

arqueie as asas

sinta o vento no rosto

o cheiro peculiar da liberdade

o brilho dourado da glória

e nem precisa olhar para trás

cair na tentação de querer voltar

a viver como galinha 

se alimentando de sobras e piedade

servindo a sociedade com os frutos do seu máximo esforço e dor

doando até mesmo sua carne 

é pra cima que se voa

você pode ir alto

muito mais que imagina

e quando suas asas cansarem até mesmo de planar 

pouse em um pico

alto o suficiente para a contemplação do todo

e pequeno o bastante para ser apenas seu

e firme residência

acostume-se com o prazer

de ser exclusivo

admirado

até mesmo temido

mantenha os olhos no horizonte

baixe a cabeça apenas quando precisar se alimentar

Enjoy!


domingo, 23 de abril de 2023

Oásis

 Fui abordada recentemente com a fala: "Não converso com você porque só me faz mal. Tudo o que envolve a sua pessoa me traz sentimentos ruins, não há motivo bom para eu me aproximar de qualquer coisa que me lembre você."

Isso me fez pensar muito em quem tenho sido para as pessoas com quem cruzo ao longo da vida. Por mais que me esforce para fazer o que é certo, ser uma boa pessoa, transmitir amor divino ao semelhante, obviamente neste caso falhei terrivelmente. 

Não há o que justificar. Ainda que a pessoa dona de tal discurso seja um exemplo de mal caráter e índole podre inquestionáveis, e que o contexto da conversa não fosse o relacionamento que não temos; o que fica é a taxa de ser uma marca ruim com sabor amargo para alguém.

Aprendi que não devo falar de mim na terceira pessoa, ou usar o 'nós' em situações exclusivas a mim.

Mas tendenciosamente retruco que a humanidade é falha em relacionar-se. Acabamos por usar os fins pra justificar os meios. A pessoa que proferiu as palavras amargas não vai ter de mim nada mais do que já tem, aliás, agora ainda menos. 

Mas confesso estar incomodada com essa versão de mim. A despeito de ser um ser despresível, eu não desejo ser essa figura para ninguém. Me incomoda a minha imagem. Sou responsável pelo que eu transmito. Embora talvez não seja bem assim, pois cada um tem de mim aquilo que cultiva, parafraseando Chaplin.

Só quero me certificar de ser verdadeira, sólida e consistente, nesse mundão de Deus, onde quase sempre, o que se vê é apenas miragem. 

Quero ser oásis. 

E. C. L.



sexta-feira, 21 de abril de 2023

Repúdio

 Aqui com meus botões, pensando na superficialidade da raça humana na atualidade... Como as pessoas estão fingidas, caricatas, rasas. Cogitei a princípio ser o medo das desilusões próprias de relacionamentos o motivador para tamanha indiferença e antipatia. Mas desconsiderei. Noto que a covardia é um agente desencadeante. Sim, covardia. Uma preguiça de fazer o que é certo apenas por ser o certo a fazer, se instalou com sucesso e lança a tendência ludibriante do individualismo exacerbado, onde a própria vontade é a única lei. 

Diante do colapso sentimental que enfrentamos nesta geração vacinal, o caos previsto vem acompanhado de ódio, intolerância, descaso, dissimulação, frieza e o que mais desprezível houver para ser adicionado ao bolo. 

Registre-se minha indignação e repúdio a todo esse desamor travestido.

Aos que restamos com sentimentos puros e verdadeiros, nos resta cultivar nossas sementes, já que lança-las hoje é um grande desperdício.

Quiçá haverá ainda corações férteis, ávidos por nossas mudinhas. 

E. C. L.



domingo, 29 de janeiro de 2023

Título: Sem título...

Às vezes fico meditando sobre o ser humano e suas capacidades de auto-destruição. Eventualmente você já conheceu alguém que a princípio não lhe despertou nada além de desprezo. Ao longo do tempo acabou interagindo de alguma forma e/ou convivendo com esse alguém que te fez repensar e passar a admirar suas características, personalidade, comportamentos, etcetera; inclusive você um dia chegou a se punir mentalmente por não ter virado fã incondicional ao primeiro contato, tamanha admiração que se formou então. Mas, o tempo não pára, e as emoções e sentimentos vão se aprofundando, os laços se estreitando, chegam as espectativas e com elas as frustrações e decepções. E aquele ser que do nada virou ídolo acaba, por si só, destruindo a própria imagem, admiração e estima que conquistou tão astutamente. Isso não é raro, só comigo aconteceu mais do que eu acho que deveria. 
Enfim, pensar sobre isso me faz refletir sobre dois pontos:  
Primeiro:- a pessoa que te decepciona, ainda que saiba disso, mais de 99% das vezes segue vivendo plena e feliz, sem alterações significativas em sua vida, rotina, cotidiano, quanto menos sentimentos. Sofre você, que muitas vezes perde a paz, o sono, não raro muda de endereço, de comportamento, de emprego, adquire uma comorbidade comprometendo sua saúde, uma depressão/ansiedade, ou seja, sofre sequelas e consequências que vão fazer parte de você, ainda que em pequena escala, para sempre. Terrível, mas real. Nos cabe tomar o antídoto, que não é, apesar de parecer óbvio, deixar de se envolver. Mas blindar-se contra as espectativas. Não esperar NADA de ninguém. Difícil, mas necessário.
Segundo:- vendo esses seres desnutridos de luz viverem suas belas vidas de aparências, sobretudo nessa era maluca de redes sociais, comemorando cada centavo como se fosse milhão, cada passo como se fosse maratona, cada vírgula como texto, brindando uma vida fake que só você, ou você e bem poucos mais, sabem que é pura bolha de gás; me ponho a pensar: será que eles sabem que são a referência de tudo o que é ruim, degradante, nojento, mentiroso, desleal, cruel e desprezível? Será que dormem bem com a ciência de serem o ponto negro na paisagem de alguém? Será que algum dia sofreram ou sofrerão as consequências de terem sido agentes do mal destruidores como gafanhotos em folhas frescas nos sentimentos de algum inocente? Minha indecente humanidade espera que sim. Que não tenham sossêgo até que bebam o próprio veneno. Merecem viver toda essa mentira, porque no fim das contas, quando as luzes se apagam, quando a câmera desliga, quando o offline os assombra, são obrigados a conviver com o buraco negro de suas almas vazias, fúteis e solitárias. A isso podemos chamar de justiça? Não sei. Prefiro deixar sem título.


domingo, 25 de setembro de 2022

Renomear

 Tenho pensado muito sobre a expressão correta do amor. Temos a referência para comparação. Deus, o próprio Amor, fez questão de nos deixar a fórmula escrita em Sua santa palavra, a Bíblia. Expressar amor, segundo Ele, é se entregar por alguém, se isso for salva-lo. É obedecer aos "seus mandamentos" para fazê-lo feliz, é devolver a parte que lhe corresponde em agradecimento ao bem que se recebe. É fidelidade. É cuidado. É gratidão. É renúncia. É obediência. É reconhecimento. É promover o bem. É providenciar o que for necessário. Amor não é sentimentalismo, não se trata do que se recebe, mas do que se dá. Deus diz: "Se me amardes, guardarei os meus mandamentos". Diz também: "Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor". Ou: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". 

A Bíblia está repleta de amor, de como encontrar, de como viver o amor, explica o que é amor, como ele se expressa. O que é amor de verdade reflete a imagem de Deus, porque Deus é amor. Como criaturas do ser Amor, somos feitos para o amor. Quando não vivemos o amor, estamos indo contra a natureza humana, que necessita do amor para viver. Toda a expressão de amor se parece com Deus. Ele nos criou por amor, morreu por nós por amor, nos mantém por amor e nos buscará por amor. "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;  tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba"; portanto, tudo o que se expressa contrário a tais definições nem são amor, nem procedem de Deus. Seja impaciência, maldade, ciúme,  vangloria, orgulho, inconveniência, egoísmo, fúria, vitimismo, injustiça, mentira; o amor não é melindroso, não desconfia, não se desespera, não se abala. Essa é a definição do amor. Se falta ou sobra alguma característica, não é amor. Pode até haver a boa intenção, mas não é amor. Mesmo sendo o ser humano imperfeito, o que pode surgir como "justificativa" para a desconstrução do verdadeiro amor, Deus supre em nós as lacunas do imperfeito e transforma a boa intenção em amor prático, verdadeiro. Mas para que o milagre aconteça, a vontade tem que ser submetida a Ele.

Penso então que, ou precisamos submeter nossas boas intenções para gerar amor, ou renomear as tais intenções.



sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Pintinhos de granja

 Quem já teve um filhotinho de galinha de granja, sabe como é... O humano tem que cuidar para não pisar em cima do pequenino, já que ele fica insistentemente em volta dos pés do dono. É fofinho!

Apenas neste caso. Ninguém deveria medingar atenção. Ninguém. É objeto de meu absoluto asco, humanos que se portam frios, indiferentes, "imunes" aos reclamos emocionais de outrem. 

Quando se trata de filhotes, ah queridos... É revoltante. Como pode alguém, por mais duro de coração que pretenda parecer, não se desmanchar em afeto aos encantos de um bebê? Que frieza polar é esta que faz pessoas se quer darem de ombros a pequenos pacotinhos de amor, clamando por atenção?

E a crosta purulenta só fica pior. Note: pais, progenitores, doadores de material genético, por assim dizer, têm sido protagonistas de tamanha crueldade, transformando esses pequenos seres carentes de afeto paternal, em pintinhos de granja, pois passam, as vezes, uma vida, em volta deles, requerendo uma migalha de atenção.

Não entrarei no mérito das consequências desastrosas para essas crianças, que quando tem muita sorte, tem pelo menos uma mãe dedicada, ou outros entes que lhes nutrem de amor. 

Aos ditos "pais", apenas um lembrete de um Filho muito amado:

 - "O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes". Mateus 25:40

domingo, 26 de junho de 2022

Violência

 Uma pessoa violentada permanece ferida até a morte, não importa quanto tempo leve de um fato a outro. O que ocorre nesse meio tempo é sobrevivência à dor mais terrível na alma, superação do desejo pela morte, indignação pela covardia, ódio pelas sequelas, incompreensão e julgamento social, rotulagem, entre outras maldades. Violência é tão brutal e malvada que faz a vítima parecer culpada, há quem defenda justificativas, inclusive. Violência mental, violência emocional, cultural, espiritual, estrutural, sexual, física, verbal... São tantos tipos, parece uma fila de dominós esperando cair o primeiro para que os outros sigam caindo e derrubando os outros sucessivamente. Não, a vítima violentada, violada, nunca tem culpa ou mérito. A violência é tão horrível que nem se auto define. Nunca foi permitido, não houve concessões, violência não conhece respeito ou limites. Ignora tudo o que a deteria. É, talvez, o pior aspecto do mal. Cruel por si só, devastadora, escravizadora, assassina. A violência é tão malvada que pode se camuflar, se esconder, levando inúmeras vítimas a se culparem, se amedrontarem e se calarem. Que horror.


segunda-feira, 14 de março de 2022

Choquinho de leve

 Hoje foi um dia de me olhar do avesso. 

Dia em que acordei com vontade de não sair da cama pra não deixar o ninho com minha filhotinha tão quentinha e linda dormindo e vi a mãe ausente que me tornei.

Dia em que preferi ficar na cadeira sozinha por causa de dores no corpo e cabeça do que me aconchegar no colo do meu querido e ver a velhice me possuindo.

Dia em que me aproximei do meu diretor para ser profissional e vi a subserviente em que me transformei.

Dia em que busquei um refrigério na doçura de uma amizade sincera e pude observar a imagem craquelada, turva e empoeirada de mim mesma nos olhos alheios.

O dia que eu não me preparei para receber...

Dia do dedo na tomada.


segunda-feira, 7 de março de 2022

Fofos mortais...

Recentemente recebi uma informação  que me chocou: minha maior companheira de brincadeiras na primeira infância  é  uma formiga muito venenosa. Pensar nisso me fez pesquisar sobre outros perigos aparentemente inofensivos e até fofos. Então me deparei com esta obra de arte: o Felis nigripes, ou gato-bravo-de-patas-negras.
Que animal lindo, fofinho,  pra quem gosta  de felinos (como eu), há de concordar que é  um bichinho que você quer no cólo. 
Então vem a  parte que dói: é  o maior assassino que existe. Chega a matar uma presa a cada 50 minutos, segundo fontes. É  uma verdadeira máquina de matar.  Abate sem piedade e certeiramente quase tudo que se move ao seu redor. Tem um desempenho até  5 vezes maior que um leão,  que acerta apenas 12% de suas presas, perdendo para 60% do gatinho Felis  nigripes. Isso nos faz gratos por ter ele sua residência fixa na selva africana. Pobres dos vizinhos. 
Mas há  um dado confortador deste pequeno fofuxo mortal: ele mata tudo ao seu redor igual ou menor que seu tamanho. Para vencê-lo,  só  é  preciso ser maior que ele. Isso me leva a uma reflexão:
Na vida, somos atraídos  a "gatinhos" aparentemente fofos, mas mortais. Pessoas nos parecem de pelúcia,  mas são verdadeiras máquinas de destruição,  para isso disfarçam suas verdadeiras intenções  em boas falas e sorrisos superficiais, esperando apenas detectar o momento exato de atacar, eliminando chances de defesa ou luta. Parece um problema insolúvel  mas não é.  
Seja maior que ele. Seja maior. Apenas seja maior.




quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Receita da vovó

 Se o amor andar junto com a coerência, é possível que se obtenha longas séries de agradáveis momentos.

Se a coerência abraçar a lucidez e não desgrudar mais, talvez  seus bons momentos diminuam a intensidade, já que a coerência e a lucidez formam uma dupla mais objetiva e menos romântica, preferível aos olhos do 'homo non sapiens' (vulgo 'geração nutella ou geração mimimi'), que prefere o balet afetivo do Mr. Sigmund a sujar um pouco os pés na lama que estão acumulando com tanta superficialidade e comportamentos em massa, as ditas modinhas. 

Sinto em lhes comunicar o prognostico redundante: muitos buscando morte à sua maneira, como Shakespeare - herói da geração - por preguiça de  enfrentar seus respectivos pântanos, formados por lágrimas de birra por qualquer eletrônico que possa tirá-los da realidade; comportamento nomeado de adicção intensa, progressiva, incurável e fatal.

Quem nos dera não tivéssemos querido dar a eles o que não tivemos, pois foi exatamente o que nos forjou com metal e não de biscuit atóxico.

Lactose, glúten, diet, light, eram palavras escassas (confesso desconfiar de uma teoria da conspiração entre a industria alimentícia e farmacêutica), as frescurites agora tem afamados nomes de intolerância à/ ou hipersensibilidade aos componentes da fórmula. 

Saudade de jogar queimada descalça na rua de barro com a molecada que só ia chegando e entrando na brincadeira; colocar fogo no bombril a noite e guerrinhas de goiabinhas verdes ou mamonas.

Chilique antigamente era resolvido na cintada, chinelada ou varada mesmo. E sim, apanhamos muito, sem sermos espancados, mas o essencial, que é de fato invisível aos olhos, era nossa recompensa: nos tornou mais afetivos. E essa piedade pelos nossos bebês fizeram com que eles envelhecessem mais cedo que nós.

Afinal, confinamento voluntário, sedentarismo, alimentação, se existir - me négo a chamar fastfood de alimento - ( tudo transgênico á base de soja e glutamato monossódico), dependentes do dinheiro alheio porque não aprenderam sequer a trabalhar, a meu ver, chama-se prisão domiciliar voluntária. E a gente chamava tudo isso de caduquice e era de uso exclusivos dos idosos.

Erramos em trazer o peixe que eles nos viram pescar mas não puseram suas mãozinhas na lida. Agora eles exigem os pescados prontos para o deguste e temos a tarefa de não propagar uma próxima geração assim ou pior ainda. Mas, a pergunta perdida no vento é: como se faz gente de verdade? 

Perdemos a receita da vovó.

O leite já derramou e nos cabe apenas tentar equivaler o que restou do indivíduo humano.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Em definição

Inúmeras são as tentativas de definir amizade - a palavra.
Empreendi algum tempo a refletir sobre esse fenômeno social fracassado, contaminado e infestado de definições pretensiosas e circunstanciais.
Embarquei nesta corrida apenas como uma maratonista a mais, já que também não obtive sucesso, pois não cheguei sequer perto de algo novo, original ou coeso, digno de ser denominado: DEFINIÇÃO REAL E ATUALIZADA DE AMIZADE - A PALAVRA. Então tive um insight: estava numa busca anexa, no sentido literal pleno da palavra, sendo, sem nexo. Buscar definição para a palavra amizade restringe-se ao dicionário, idioma literal, com suas colocações gramaticais e classificativas, sintetizando a palavra, sua origem, o que a completa, sinônimos, etc.
Minha busca particular se tratava do etéreo, do invisível, portanto, indefinível à tradução gramatical.
Amizade é sentida, vivida, oferecida, recebida. Consegui ao menos entender, na prática, em profunda introspecção e meditando sobre as diversas relações que tenho o privilégio de desfrutar, que amizade é o formato mais livre do amor. Sem amarras, sem rótulos, não cabe em conceitos e pré-conceitos, sendo a forma mais livre e irreverente de amar, é desprendida de compromissos sociais, civis, legais, étnicos, religiosos... a amizade desconhece fronteiras ou limites. É atrevida e desrespeita muros como tempo e distância. O Deus Filho se autodenominou "amigo mais chegado que um
irmão", pois na forma mais livre de amar, contrariou a razão e a própria natureza.
Amizade é amor livre, pleno, insano, desde sempre, para sempre, nem demais, nem de menos, suficiente e solto.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Totalmente vazios

A capacidade humana de amar qualquer tipo de poder, ainda que este poder (e não raro,
principalmente por isso) seja manipular emoções, muito me entristece. Vejo que toda a forma de tentativas e investidas para direcionar a emoção alheia, ainda que despretensiosa, é manipulação. Se seu bebê machuca um dedinho, antes que ele chore você o induz a isso:"_Tadinho do bebê, fez dodói". depois o induz a sentir-se ridículo por sofrer por 'tão pouco':"Ah, não chora, não foi nada".
Em síntese, o ser humano é desprezivelmente minimista com as emoções alheias. Vitórias são comemoradas por máscaras, tristezas consoladas por controle remoto; minha dor sempre é maior que a do outro.
Enquanto se incomodar com o cisco no olho do irmão e engolir bois forem especialidades dos ditos "donos da razão", sempre haverá traves cravadas em seu próprios olhos e asfixia por se engasgarem com mosquitos.
Olha e vigia!
Se a dor ou a vitória alheias fazem cócegas no seu ego e te faz tripudiar em 'sábios conselhos' sobre aquilo que geralmente desconhece, talvez você também precise de ajuda. Sim, essa mesma ajuda que o espírito abatido busca quando se curva para te dar a oportunidade de auxilia-lo, é para que você cresça, na verdade.
Pobres seres, dignos de piedade, tão cheios de si mesmos que são totalmente vazios.
 Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;
Romanos 12:15
Fica a dica...

Em queda.....

Aos olhos ávidos da sociedade de rapina
Sigo caindo neste, que pode ser meu ultimo tombo
Aguardando ansiosa pelo fim do abismo
Para onde fui covardemente lançada
Confesso que estava muito próxima da beira
Ensaiando um voo que jamais aconteceria
Reconheço que meus sentidos (os seis) me alertaram sobre a possibilidade de queda
Mas pensei em vertigem ou escorregão
Talvez até desfalecimento por se esgotarem as forças
Contudo não me preparei para ser empurrada
E cá estou a cair
Descobri que até para esperar o chão preciso de paz


Quando chegar o fim do abismo, aviso.
E poderão soltar os corvos e abutres
É provável que eu morra e apodreça até que cheguem os carniceiros
Ou talvez sobreviva para espanta-los com minha vida ainda pulsante e sangue quente correndo
Não sei o que esperar
então apenas me deixem cair em paz.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Lembranças


Lembranças são dádivas. 

Sejam elas boas ou não.
Sendo boas nos abençoam com flashes emocionantes de momentos, lugares, pessoas, ocasiões que nos fizeram bem e permanecem como boas recordações a nos acalentar o coração.
Sendo ruins nos abençoam levando o espírito à reflexão de como não fazer algo, sobre nossos medos, que acabam nos guiando seguros; sobre como ser fortes em tempos difíceis.
Lembranças são sempre bençãos.
As boas nos trazem alegria e saudade. 
As ruins nos trazem aprendizado e sobriedade.
Portanto, lembranças são dádivas, sejam elas boas ou não.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Pérolas aos porcos...


A vida tem umas voltas peculiares. Num dia você está aos pés de Gamaliel, no outro, dando pérolas aos porcos. Ora subindo, ora descendo. Concordo que o conhecimento deve ser compartilhado, mas há o momento de se fazer de tolo com os tolos para não ser de fato um tolo. Ou seja, a sabedoria não é para os tolos. Porcos não usam pérolas. Às vezes convém guardar.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Retrato

A frustração promove rugas.
Rugas no rosto, rugas no coração, rugas na alma.
Olheiras se fixam e não há cosmético ou mandinga que amenize a aparência cansada de uma pessoa frustrada.
Sei porque tenho espelhos em casa.
O sorriso perde o sentido. Não há lógica em expressar uma alegria que não existe.
É um fruto amargo, feio e quase podre que a vida nos obriga a engolir como pagamento por espectativas que nunca deveriam ter sido criadas.
Um sonho da juventude que não foi realizado, oportunidades e prêmios que a vida trouxe e que foram perdidos ou desperdiçados, planos e projetos baseados apenas em fé... Relacionamentos irreais, surreais, desiguais. Juras e auto afirmações jogadas por terra. Batalhas inúmeras vencidas e no final, guerra perdida. Princípios sólidos pisoteados. Impotência diante das injustiças promovidas pela vida.
De repente o ser passa a sentir-se otário diante de sua própria vida.
Porquê lutei? Porquê sonhei? Para quê tanto trabalhei?
E ter que se apegar a migalhas de alegrias superficiais para não congelar a musculatura facial em molde de tristeza, sem esboço de emoção - já que tudo se tornou fútil, banal e sem graça, insípido, inodoro, incolor.
Força para continuar chega a parecer falta de coragem de parar. E saber que não precisaria mudar o passado para voltar a ter gosto pela vida. Pequenos ajustes, boa vontade e cumprimento de promessas. Sim, promessas. Essas agentes do mal que circulam a esperança o tempo todo alimentando-a e enfim, dão cabo dela ao se retirarem devagarinho, juntarem-se num grupinho lá no fundo do consciente e gargalharem enquanto a vêem se debater até quase morrer. Promessas não cumpridas são um punhal cravado pelas costas. Matam, mas bem lentamente. A frustração é o retrato da desilusão geral, começando por si mesmo, sem destino final.
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