domingo, 5 de julho de 2020

Mas heim?

E de repente noto que vivo num mundo paralelo. Que a realidade não é tão real. E inclusive não me interessa tanto assim. Pois se com os pés no chão sofro humilhação, desamor, indiferença; com a cabeça nas nuvens recebo elogios sinceros, toda a expressão do amor, sou realmente importante. 
Encontro refúgio e alento fugindo do espelho, do foco de luz, da pisada firme. Meus pés ao chão encontraram apenas o tropeço, a dor e a queda. Enquanto minha cabeça nas nuvens me deu o flutuar, o dissolver-se, o desaguar abençoado. Frio, as vezes, solitário, talvez. Mas bem menos impactante para quem eu quero realmente poupar dos embates que a realidade dura e cruel trouxe:a mim mesma. Sim, eu importo. Sou importante ao menos pra mim. O que eu penso, sinto, sofro, os processos, os porquês, tudo importa pra mim. Duro me foi esperar que outros tivessem o mesmo sentimento. Pior foi ver que eu tenho pelos outros o que estes não tem por mim. Pois para "geral", o que importa são os resultados. APENAS. 
Mas agora, eu já sei. Agora, já compreendi. Sigo, e vivo, com o que chamam de cabeça nas nuvens, ou virada. Quando tiver seus resultados, levo, apresento e volto para a minha bolha de auto contentamento. Pois para mim, eu importo sim.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Em definição

Inúmeras são as tentativas de definir amizade - a palavra.
Empreendi algum tempo a refletir sobre esse fenômeno social fracassado, contaminado e infestado de definições pretensiosas e circunstanciais.
Embarquei nesta corrida apenas como uma maratonista a mais, já que também não obtive sucesso, pois não cheguei sequer perto de algo novo, original ou coeso, digno de ser denominado: DEFINIÇÃO REAL E ATUALIZADA DE AMIZADE - A PALAVRA. Então tive um insight: estava numa busca anexa, no sentido literal pleno da palavra, sendo, sem nexo. Buscar definição para a palavra amizade restringe-se ao dicionário, idioma literal, com suas colocações gramaticais e classificativas, sintetizando a palavra, sua origem, o que a completa, sinônimos, etc.
Minha busca particular se tratava do etéreo, do invisível, portanto, indefinível à tradução gramatical.
Amizade é sentida, vivida, oferecida, recebida. Consegui ao menos entender, na prática, em profunda introspecção e meditando sobre as diversas relações que tenho o privilégio de desfrutar, que amizade é o formato mais livre do amor. Sem amarras, sem rótulos, não cabe em conceitos e pré-conceitos, sendo a forma mais livre e irreverente de amar, é desprendida de compromissos sociais, civis, legais, étnicos, religiosos... a amizade desconhece fronteiras ou limites. É atrevida e desrespeita muros como tempo e distância. O Deus Filho se autodenominou "amigo mais chegado que um
irmão", pois na forma mais livre de amar, contrariou a razão e a própria natureza.
Amizade é amor livre, pleno, insano, desde sempre, para sempre, nem demais, nem de menos, suficiente e solto.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Totalmente vazios

A capacidade humana de amar qualquer tipo de poder, ainda que este poder (e não raro,
principalmente por isso) seja manipular emoções, muito me entristece. Vejo que toda a forma de tentativas e investidas para direcionar a emoção alheia, ainda que despretensiosa, é manipulação. Se seu bebê machuca um dedinho, antes que ele chore você o induz a isso:"_Tadinho do bebê, fez dodói". depois o induz a sentir-se ridículo por sofrer por 'tão pouco':"Ah, não chora, não foi nada".
Em síntese, o ser humano é desprezivelmente minimista com as emoções alheias. Vitórias são comemoradas por máscaras, tristezas consoladas por controle remoto; minha dor sempre é maior que a do outro.
Enquanto se incomodar com o cisco no olho do irmão e engolir bois forem especialidades dos ditos "donos da razão", sempre haverá traves cravadas em seu próprios olhos e asfixia por se engasgarem com mosquitos.
Olha e vigia!
Se a dor ou a vitória alheias fazem cócegas no seu ego e te faz tripudiar em 'sábios conselhos' sobre aquilo que geralmente desconhece, talvez você também precise de ajuda. Sim, essa mesma ajuda que o espírito abatido busca quando se curva para te dar a oportunidade de auxilia-lo, é para que você cresça, na verdade.
Pobres seres, dignos de piedade, tão cheios de si mesmos que são totalmente vazios.
 Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;
Romanos 12:15
Fica a dica...

Em queda.....

Aos olhos ávidos da sociedade de rapina
Sigo caindo neste, que pode ser meu ultimo tombo
Aguardando ansiosa pelo fim do abismo
Para onde fui covardemente lançada
Confesso que estava muito próxima da beira
Ensaiando um voo que jamais aconteceria
Reconheço que meus sentidos (os seis) me alertaram sobre a possibilidade de queda
Mas pensei em vertigem ou escorregão
Talvez até desfalecimento por se esgotarem as forças
Contudo não me preparei para ser empurrada
E cá estou a cair
Descobri que até para esperar o chão preciso de paz


Quando chegar o fim do abismo, aviso.
E poderão soltar os corvos e abutres
É provável que eu morra e apodreça até que cheguem os carniceiros
Ou talvez sobreviva para espanta-los com minha vida ainda pulsante e sangue quente correndo
Não sei o que esperar
então apenas me deixem cair em paz.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Apenas

E de repente conheci um anjo. Não o meu, sei lá. O de alguém. Mas anjo sim. Sem fronteiras para amar verdadeiramente como se deve ao semelhante. Um seguidor do dito 'mandamento maior'. Seu maior poder descrevo como 'olhar atravessador de minha alma'. Apenas olha e a tudo vê. E por tudo ver, tudo sentir. E por tudo sentir, tudo sofrer. E por tudo sofrer, totalmente compreender. E por isso, totalmente amar. Cabe-me a difícil tarefa por lembrá-lo de ser anjo, e com isso lembrar a mim também. Pois facilmente poderíamos nos esquecer que anjos tem missão, e iríamos querer a perpetuação e/ou continuidade e aprofundamento dos afetos. Catástrofe descomunal. Anjo. Só anjo. Apenas anjo. Mas que anjo!

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Intocável


Ele é dono de sua masculinidade. Desfila sua aparência controversa de homão-moleque, com esse porte de medidas harmônicas, esse olhar pedinte, requisitante, insatisfeito, inconformado, sempre querendo mais do que lhe é ofertado. 

Ele é forte de dentro para fora e de fora para dentro. 
A vida cumpre seus caprichos, se curva ao seu humor primaveril. 
Tal qual o vento, que sendo forte impõe respeito e temor, sendo suave imprime alegria e frescor; ele é ótimo em seus extremos.
Seu olhar profundo é instigante e sem inocência.
Seu sorriso imperativo é um convite constante.
Seu abraço forte é um atentado ao meu auto-controle.
Ele é tudo o que se quer.
Artigo de vitrine... intocável.

Lembranças


Lembranças são dádivas. 

Sejam elas boas ou não.
Sendo boas nos abençoam com flashes emocionantes de momentos, lugares, pessoas, ocasiões que nos fizeram bem e permanecem como boas recordações a nos acalentar o coração.
Sendo ruins nos abençoam levando o espírito à reflexão de como não fazer algo, sobre nossos medos, que acabam nos guiando seguros; sobre como ser fortes em tempos difíceis.
Lembranças são sempre bençãos.
As boas nos trazem alegria e saudade. 
As ruins nos trazem aprendizado e sobriedade.
Portanto, lembranças são dádivas, sejam elas boas ou não.

Vida Jovem

Ser jovem é trazer no corpo a força da vida esculpida no corpo em detalhes nada barrocos.
É alargar as fronteiras da alegria, sem local e hora combinados ou impostos. É não ter endereço fixo para a firmeza que hora é etérea, hora física.
É contaminar o entorno com uma pandemia de desejo e prazer quase sem cura.
É sair de trás da máscara do pudor e expor a alma como uma tela de Picasso... linda, intrigante, prazerosa, desejável.
O ser jovem tem idioma próprio, renova e redireciona as gerações com suas descobertas temporariamente absurdas.
a vida em sua melhor forma é jovem. 
Enjoy!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Casal Casual

Um cheiro de paixão invade o ar A luxuriosa luminescência resplandece no olhar Ele, o proibido irresistível. Ela, a atrevida disfarçada. Ambos despem-se do pudor já sem mais notar. Nem mais percebem que os afetos acalorados dominam-lhes os sentidos. E explodem em sorrisos, risos e olhares penetrantes. Descaradamente, almas nuas à vista de todos. Todos os que quiserem notar, perceber, entender. A esta altura nem lhes importa. Ao separar-se, ele volta à sua toca bem protegida. Ela fecha-se em sua mascara cabisbaixa e carrancuda. Assim seguem, até que mais uma lua se mude. E tornam a sair de seus personagens brilhantemente interpretados de bom moço e socialite. Que belo espetáculo de hipocrisia disfarçado de ética social. Merda!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Pérolas aos porcos...


A vida tem umas voltas peculiares. Num dia você está aos pés de Gamaliel, no outro, dando pérolas aos porcos. Ora subindo, ora descendo. Concordo que o conhecimento deve ser compartilhado, mas há o momento de se fazer de tolo com os tolos para não ser de fato um tolo. Ou seja, a sabedoria não é para os tolos. Porcos não usam pérolas. Às vezes convém guardar.

sábado, 12 de agosto de 2017

Você é o presente!


Conheço alguém viral, que contagia até quem não quer
Com sua alegria, simpatia, suas manias, seu jeito "free" de ser...
Conheço alguém que determina desde o que vai vestir até o que vai sentir
Sujeitando a vida a seu mando e os sentimentos a obedecerem seus caprichos...
Conheço alguém que assume intensamente seu papel de leoa, circunstanciando o restante da 'selva' a seu redor com firmeza, bom senso, ponderação, bom humor, uma força imensa e digna de admiração...
Conheço alguém que passa pelo fogo com classe, que batalha sobre um salto e desfila com sua taça vitoriosa ao final de cada dia...
Conheço alguém que precisa de um peito bem maior para caber tamanho coração
Dona de sentimentos nobres, que se transforma em heroína pelo próximo, seus irmãos...
Sim, sou privilegiada por conhecer essa pessoa tão especial, inspiradora e contagiante que nos faz querer estar sempre perto, pra absorver qualquer uma de suas tantas virtudes e desfrutar o prazer de sua companhia...
O aniversário é seu, mas quem te tem por perto é que recebe o presente... Obrigada Eliana Castro! Felicidades mil sempre!!!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Retrato

A frustração promove rugas.
Rugas no rosto, rugas no coração, rugas na alma.
Olheiras se fixam e não há cosmético ou mandinga que amenize a aparência cansada de uma pessoa frustrada.
Sei porque tenho espelhos em casa.
O sorriso perde o sentido. Não há lógica em expressar uma alegria que não existe.
É um fruto amargo, feio e quase podre que a vida nos obriga a engolir como pagamento por espectativas que nunca deveriam ter sido criadas.
Um sonho da juventude que não foi realizado, oportunidades e prêmios que a vida trouxe e que foram perdidos ou desperdiçados, planos e projetos baseados apenas em fé... Relacionamentos irreais, surreais, desiguais. Juras e auto afirmações jogadas por terra. Batalhas inúmeras vencidas e no final, guerra perdida. Princípios sólidos pisoteados. Impotência diante das injustiças promovidas pela vida.
De repente o ser passa a sentir-se otário diante de sua própria vida.
Porquê lutei? Porquê sonhei? Para quê tanto trabalhei?
E ter que se apegar a migalhas de alegrias superficiais para não congelar a musculatura facial em molde de tristeza, sem esboço de emoção - já que tudo se tornou fútil, banal e sem graça, insípido, inodoro, incolor.
Força para continuar chega a parecer falta de coragem de parar. E saber que não precisaria mudar o passado para voltar a ter gosto pela vida. Pequenos ajustes, boa vontade e cumprimento de promessas. Sim, promessas. Essas agentes do mal que circulam a esperança o tempo todo alimentando-a e enfim, dão cabo dela ao se retirarem devagarinho, juntarem-se num grupinho lá no fundo do consciente e gargalharem enquanto a vêem se debater até quase morrer. Promessas não cumpridas são um punhal cravado pelas costas. Matam, mas bem lentamente. A frustração é o retrato da desilusão geral, começando por si mesmo, sem destino final.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Fins!

O fim de uma história nem sempre é no final...
Como?
Não sei bem como explicar, apenas constatei, que cada dia vivemos um fim.
O fim de uma espera, o fim de uma espectativa, o fim de um suspiro...
Fins que formam um atalho rude para o final prematuro.

Se não houvessem tantos fins, o verdadeiro final poderia não ser hoje, ou amanhã. Talvez nem houvesse esse final...
Mas a cada fim, uma parte pulsante se cala.
Um prazer morre.
Um sabor se desfaz.
E esses fins vão se juntando numa vala, onde as moscas do desgosto colocam seus ovos e acabam por apodrecer definitivamente qualquer chance de não acabar, não morrer, não haver o derradeiro final.
Que destino para um fim!

domingo, 25 de junho de 2017

"Tanto Faz"

Totalmente despreparada! Após meia vida de lutas, batalhas extremas, umas perdidas mas muitas ganhas, acreditei que estaria preparada para qualquer situação. Mas me enganei. Me enganei ao ponto de sequer me sentir apta a transpor um obstáculo já conhecido. O que me torna refém das circunstâncias.
De repente não sou mais tão forte, nem tão persistente, muito menos tolerante e cada dia mais decepcionada com coisas pequenas demais para serem relatadas.
Me perceber rodeada por superficialidade, por comodismo, por costumes e rotinas intrínsecos à mediocridade peculiar à essa falta de vontade que me traz todo esse "tanto faz" em que vivo.
O eu de hoje quer muito mais por muito menos. Simplificar, descomplicar sim. Sempre! Mas sem ignorar sentimentos nem minimizar dores.
A controvérsia está aí: o que antes mutilava, hoje me faz forte. O que antes era ignorado, hoje define status.
Sinto muito por não estar preparada!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Descreva: Silêncio...

Tentar descrever os efeitos do silêncio é no mínimo controverso. Um redemoinho de emoções provocadas por um agente que não se pode ver, tocar, nem mesmo ouvir.
O Silêncio tem seu momento de glória. Sim, ao calar uma discussão desnecessária; após uma manifestação exagerada de seu pior oponente - o Barulho.
Tem sua essencialidade exposta num discurso vital ( se observarmos minuciosamente fica claro que as pausas de um texto o definem melhor do que a parte escrita, na maioria das vezes); é o pai ciumento e zeloso da Atenção.
Tem seus momentos de ousadia falatória, onde sem exprimir som algum, acaba por completar frases, definir situações. Usa e brinca com as circunstâncias mais diversas.
Mas, como todo herói da vida real, o Silêncio não é feito só de glamour. Ah! Quem nos dera!
Ele pode, e de fato se torna o pior algoz da Consciência.
Provoca lágrimas de dor e muito sofrimento ao se aliar à Indiferença, sua irmã malvada.
Causa danos e perdas ao se unir ao Medo, um amigo oportunista.
Quando se aproxima da Ausência, sua professora, produzem uma fórmula cruel chamada Saudade.
Sim, e às vezes ele se torna insuportável. Como se gritasse em fúria, implorando por qualquer som.
Enfim, não muito confortador, mas verdadeiro é afirmar, que de qualquer forma, o Silêncio é sempre útil e indispensável.
Eu avisei que era controverso!

domingo, 26 de março de 2017

O fim...





A única coisa que permanece depois do fim é o silêncio.
O fim pode ser devastador, mas também é libertador.
Quando o fim chega, com ele vem a certeza. Acaba tudo!
Tudo inclui dúvidas, decepções, angústia, tudo de ruim.
O problema é que não aceitamos bem o fim de nada.
O fim também traz consigo uma sensação de impotência, a menos que tenha sido tudo muito bom.
Mas acaba somente quando acaba, e isso é consolador, por mais medíocre que pareça.
Aí está a importância de fazer todo o possível por uma situação. Quando chegar o fim, será libertador!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Contemplateur

Sentir sua falta me destrói...
Parece que vou morrer se não voltar a ter você. Jamais vou entender porque não consigo ter paz sem o brilho profundo dos teus olhos misteriosos, sem o sabor intenso, quente e macio dos seus lábios. Seu abraço, que me envolvia, me protegia, me acalmava. O único a me fazer adormecer em seus braços e querer repetir todos os dias. Uma dependência insana, doentia, visceral. Meu corpo vai gritar seu nome em silêncio todos os dias da minha morte - já que sem você não tenho vida. Jamais vou me sentir heroína por conseguir arrancar um sorriso maroto dessa boca linda e instigante. Meu travesseiro quase pulsa em tom de marcha, como se reproduzisse sua palpitação ofegante ao me beijar. Ver seu rosto e ouvir sua voz em pensamento tornou-se parte da minha rotina. Minha lucidez está comprometida com o prazer em te observar, nem que seja de longe. Que delícia de sofrimento!

Marcas

Ah, se eu pudesse a tudo reverter
Se ao menos conseguisse lhe dizer
O quanto sofro por simplesmente saber
Que em meus braços não vou mais te ter...


Você foi meu furacão preferido
Um tsunami tão querido
Me virou ao avesso, me feriu. Quase morro!
Marcas que me fazer sonhar e querer tudo de novo.

É incompreensível, eu sei
Desejar e preferir a contramão
Sabendo que talvez morrerei
Se ouvidos der ao meu coração

Mas marasmo e brisa dão pavor...
Viver assim, sem risco ou emoção
Vida opaca, inodora, indolor
Sem graça, sem intensidade, sem paixão.

A razão é louca e insana
De exigir certezas e quietude
Da calma se extrai a realidade
Da realidade, a tristeza nela contida
Da tristeza vêm os arrependimentos
Que são aliados do sofrimento
A beleza imponente do vendaval
Está nas marcas que mostram sua força
E provam que quem por ali passou foi real

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

De saco cheio...

Minha cota de paciência está completa.
Será a tal da meia idade?
Que seja! Mas chega de enrolação, chega de blá blá blá...
Meu ventre já está cheio de cadáveres dos sapos engolidos a por tantos anos.
Gente que sentiu prazeres quase sexuais uma vida inteira me vendo baixar a cabeça, respirar fundo, engolir o quase iningolível.
Tudo em nome de paz, educação, manter boas relações, manter o emprego, o namoro, os dentes.....
Mas não me importa nada disso mais. Nem mesmo os dentes. Prefiro uma dentadura e alma lavada, do que dentes - que inclusive podem cair sozinhos -  e outro sapo atravessando minha paz de espírito garganta a dentro.
Por isso, aprendi me amar, me valorizar, me admirar. Cada mazela imposta a mim pelas circunstâncias cruéis de uma vida que não gosta muito de mim, me fez aumentar a estima própria, somatizar o bem querer a mim mesma, desejar fazer por/para mim tudo o que me foi negado ano após ano vividos, como fosse eu uma poltrona velha; de casa em casa, a princípio em destaque, mas logo, apenas para prestar favores e servir de depósito, ou de objetos inúteis, ou de roupas bagunçadas, ou de bundas sujas, até que nem pra isso mais prestasse.
Agora quero o que decidi que mereço.
Mereço o benefício da liberdade, de estar só se quiser e quando quiser, sem maiores dramas nem explicações. Se viver no coletivo me fizesse bem, não quereria eu o isolamento.
Mereço o respeito ao serviço prestado, seja uma cama arrumada, um lanche, um banquete black tie, um resgate salva-vidas, o que for. Não quero elogios, exijo respeito. Construí minha vida na excelência da qualidade. Isso gasta tempo, mão de obra, dinheiro, e se não gastar nada, leva de mim a minha dedicação e esmero. Sou perfeccionista, não mexa no que eu fiz. Se eu errar, eu conserto. Se não souber, eu pergunto. Se eu falhar, me desculpo. Mas não se intrometa no meu serviço, seja ele qual for.
Mereço meu espaço. Querer guardar tudo alinhado, ver o chão brilhando, louças limpas, roupas penduradas na minha sequência. Enfeites neutros, decorar o que é


meu.
Mereço comer o que tiver vontade sem ter que dar explicações ou ver um faniquito porque vai ser agridoce ou vegano, ou caro.
Mereço a companhia de alguém pra uma TV, que queira ver TV ou que me deixe só pra eu ver o que quiser.
Mereço fazer burradas e delas me arrepender sem que isso vire uma cena do Titanic afundando e eu no papel do iceberg.
Mereço decidir sobre ser magra, malhada, gordinha ou tudo isso, afinal, eu gosto de comer. Cuido da saúde, mas como bastante, portanto, não me encha o saco por causa do tamanho do meu prato, a menos que você pague por ele sozinho.
Mereço estar perto de quem me agrada, me enche os olhos, o coração, os ouvidos, a mente e todos os outros sentidos! Duvido encontar, mas que mereço, isso sim!
Mereço escolher gato e papagaio antes de cachorro.
Mereço usar o tempo de insônia para atualizar roupas a lavar, vidros a limpar, geladeira a descongelar, café da manhã a preparar... Desde que aproveite o tempo sem sono pra fazer algo realmente útil, afinal, time is money.
Mereço envelhecer à minha maneira, meu estilo de roupa, minhas músicas antigas, meu cabelo grisalheando naturalmente, sem pressa e marcando presença, fazendo minhas palavras cruzadas Coquetel por diversão, nostalgia e prevenção de Alzheimer.
Mereço não precisar esconder nada em lugar algum.
Mereço acordar com vontade de ouvir música em volume alto e luz acesa.
Talvez encontre quem diga que é pedir demais à vida. Discordo. Lutei por isso, sonhei com isso, busquei isso, plantei tudo isso. Portanto, mereço.
Até porque, pra qualquer contrário aos descritos, já estou de saco cheio!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sempre avante!

Nunca achei que um alvo tem que ser pra sempre. Alvos são móveis, removíveis. O que tem que ser pra sempre é o objetivo. Não, eles não são tão sinônimos quanto parecem. Vejamos: alvo é uma figura a ser atingida, sendo ele itinerante, ora aqui, ora acolá. Já o objetivo é atingir esse alvo; ou outro, desde que se atinja. O alvo é apenas um veículo usado para chegar a um objetivo. Troca-se o veículo, não o destino. Quando numa guerra (não, eu nunca estive numa, não nessas figuras históricas) os alvos vão sendo atingidos e portanto eliminados, há esperança de se chegar ao objetivo, que deve ser ganhar a batalha. Mas, como não poderia deixar de ser, as vezes se escolhe alvos errados, que explodem diminuindo a vantagem, ou ainda, alvos que contraatacam, o que pode minimizar as chances de vitória. Há também o inimigo desleal, que usa o que se chama 'fogo amigo' para confundir soldados de uma mesma frente, fazendo com que se usem como alvos fáceis e se destruam sozinhos.
Relacionamentos são guerras diárias. Determinar quem é alvo, quem é soldado e quem é inimigo torna- se vital para se chegar ao derradeiro objetivo, que costuma ser a tão cara e frágil CONVIVÊNCIA PACÍFICA À DOIS. Sejam fraternos, afetivos, amigáveis, sociais, relacionamentos sempre ferem muitos e as vezes matam alguns. Assim como as guerras. Precisamos de estratégias mais eficientes e armas menos nocivas. Eu, desarmada, sobrevivente e combatente convicta. Sempre avante!
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