quinta-feira, 10 de março de 2022

Talvez (1R/2022)

 ... pois é. 

Talvez você jamais leia o que hoje escrevo, já  que não cultiva o hábito da leitura.  E se eventualmente  acabar lendo, também não  saberá  de quem se trata. Mas é  sobre você. Chamo essa anotação  inocente de "Drama do Egoísta Passivo". Sim, o egoísmo afeta mais as pessoas que convivem com o egoísta do que o próprio. Confesso estar neste momento com dificuldade de expressão pensando em desistir deste escrito por antever a cena dramática de vitimação que se instalará assim que você o ler, ainda que as chances de tal evento sejam remotas. Pois bem... estou realmente cansada desse jogo infantil que você vive, de tocar fogo no em mim e jogar o estopim na minha mão, me fazendo parecer louca. O D E I O isso. E odeio porque é desleal. Você sabe que foi você, sabe que eu jamais faria aquilo, mas além de fazer ainda faz parecer que fui eu, e consegue até testemunhas oculares, me expondo com comentários que parecem inocentes e cheios de dor emocional, forjando uma culpa em mim que não me pertence. Maldade. Usar as palavras de uma pessoa contra ela mesma sabendo que não procederam da forma como você colocou apenas pelo benefício da piedade social, deveria ser crime hediondo.

Hoje questiono se você é capaz mesmo de amar alguém além das suas dores tão queridas, que já me parecem provocadas por você mesmo de propósito, como faz comigo. Se faz comigo, pode ter feito isso uma vida toda.

Isso é doentio. É psicopatia. Sociopatia. Um tipo de violência camuflada, que coloca a vítima como culpado e o culpado como vítima.

E faz toda uma construção de cenas com fatos e artefatos que usará contra mim sempre que puder. E depois de me fazer parecer uma descontrolada, vai vir me mostrar todo o seu sofrimento por mim, todo esse amor que faz de tudo e vive por mim e para mim... vai me perdoar porque você é nobre e está acima de mágoas e rancores. Seu amor por mim a tudo perdoa. 

Entendi isso há 18 meses, quando você me jogou para dentro do abismo da morte, de onde eu não voltaria jamais. Morreria. Ao ver meu sofrimento na queda, minha dor de coração estraçalhado pelo pavor, você não pôde suportar que alguém tivesse mais piedade das pessoas do que você mesmo e me colocou como culpada pelo mal que você me causou, que inclusive, quase me leva a vida. E por esses olhos tristes, por ser você uma pessoa tão agradável socialmente, por ser o queridinho da empresa, o popular homem abandonado pela esposa, privado de conviver com os filhos que tanto ama, um ser resiliente, que venceu a adicção e é o mais trabalhador dos seres... jamais alguém ousará te culpar por nada. Nunca. Jamais.

Acredite, eu sempre soube disso tudo.

Sempre fui a pessoa utopista que realmente sonhou ser possível te fazer mudar o próprio rumo, já que é tão agradável, amável, gentil, doce, companheiro, confidente, amigo, compreensivo, viril, bem humorado, bom de casa, comida e roupa-lavada, fala tudo o que se quer ouvir... seria O marido que o universo quer. Mas, hoje, depois de ouvir pela enésima vez que você vive para me agradar e etc, me pus a buscar meus pés nas nuvens e recoloca-los no chão. Não, você não existe. O você que me apresentou é fruto da sua imaginação + sua ardilosidade + meu despreparo + minha empatia. Você de verdade nunca se apresentou. Mas devo te dizer que você tem um blefe poderoso. Arrasta a bancada toda a seu favor. A única coisa que você nunca conseguiu disfarçar foi essa inquietação, pertinente de quem não tem paz e sabe que nunca vai ter. 

Volto meus pés ao chão, sofro um pouco, quase morro, mas sigo pisando firme. Pois pés foram feitos para pisar no chão. Nuvens são apenas vapores. Qualquer vento leva.

Permaneço torcendo para que algum dia você destrua esse você horrível e decida viver a realidade desse você construído para atrair e agradar. Só não sei a que distância ficarei até que isso aconteça, já que os danos pela proximidade são irreparáveis. [Relato de livre demanda]

Este relato foi recebido para ser publicado anonimamente por alguém que está em situação  de violência emocional. 

Este blog se põe  à disposição de qualquer indivíduo para fins de desabafo sob o compromisso de privacidade total e anonimato. Não encaminho denúncias,  apenas publico o material que recebo.

Mas você pode e deve denunciar.

Ligue 181. Salve vidas. Salve você. 





segunda-feira, 7 de março de 2022

Fofos mortais...

Recentemente recebi uma informação  que me chocou: minha maior companheira de brincadeiras na primeira infância  é  uma formiga muito venenosa. Pensar nisso me fez pesquisar sobre outros perigos aparentemente inofensivos e até fofos. Então me deparei com esta obra de arte: o Felis nigripes, ou gato-bravo-de-patas-negras.
Que animal lindo, fofinho,  pra quem gosta  de felinos (como eu), há de concordar que é  um bichinho que você quer no cólo. 
Então vem a  parte que dói: é  o maior assassino que existe. Chega a matar uma presa a cada 50 minutos, segundo fontes. É  uma verdadeira máquina de matar.  Abate sem piedade e certeiramente quase tudo que se move ao seu redor. Tem um desempenho até  5 vezes maior que um leão,  que acerta apenas 12% de suas presas, perdendo para 60% do gatinho Felis  nigripes. Isso nos faz gratos por ter ele sua residência fixa na selva africana. Pobres dos vizinhos. 
Mas há  um dado confortador deste pequeno fofuxo mortal: ele mata tudo ao seu redor igual ou menor que seu tamanho. Para vencê-lo,  só  é  preciso ser maior que ele. Isso me leva a uma reflexão:
Na vida, somos atraídos  a "gatinhos" aparentemente fofos, mas mortais. Pessoas nos parecem de pelúcia,  mas são verdadeiras máquinas de destruição,  para isso disfarçam suas verdadeiras intenções  em boas falas e sorrisos superficiais, esperando apenas detectar o momento exato de atacar, eliminando chances de defesa ou luta. Parece um problema insolúvel  mas não é.  
Seja maior que ele. Seja maior. Apenas seja maior.




quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Receita da vovó

 Se o amor andar junto com a coerência, é possível que se obtenha longas séries de agradáveis momentos.

Se a coerência abraçar a lucidez e não desgrudar mais, talvez  seus bons momentos diminuam a intensidade, já que a coerência e a lucidez formam uma dupla mais objetiva e menos romântica, preferível aos olhos do 'homo non sapiens' (vulgo 'geração nutella ou geração mimimi'), que prefere o balet afetivo do Mr. Sigmund a sujar um pouco os pés na lama que estão acumulando com tanta superficialidade e comportamentos em massa, as ditas modinhas. 

Sinto em lhes comunicar o prognostico redundante: muitos buscando morte à sua maneira, como Shakespeare - herói da geração - por preguiça de  enfrentar seus respectivos pântanos, formados por lágrimas de birra por qualquer eletrônico que possa tirá-los da realidade; comportamento nomeado de adicção intensa, progressiva, incurável e fatal.

Quem nos dera não tivéssemos querido dar a eles o que não tivemos, pois foi exatamente o que nos forjou com metal e não de biscuit atóxico.

Lactose, glúten, diet, light, eram palavras escassas (confesso desconfiar de uma teoria da conspiração entre a industria alimentícia e farmacêutica), as frescurites agora tem afamados nomes de intolerância à/ ou hipersensibilidade aos componentes da fórmula. 

Saudade de jogar queimada descalça na rua de barro com a molecada que só ia chegando e entrando na brincadeira; colocar fogo no bombril a noite e guerrinhas de goiabinhas verdes ou mamonas.

Chilique antigamente era resolvido na cintada, chinelada ou varada mesmo. E sim, apanhamos muito, sem sermos espancados, mas o essencial, que é de fato invisível aos olhos, era nossa recompensa: nos tornou mais afetivos. E essa piedade pelos nossos bebês fizeram com que eles envelhecessem mais cedo que nós.

Afinal, confinamento voluntário, sedentarismo, alimentação, se existir - me négo a chamar fastfood de alimento - ( tudo transgênico á base de soja e glutamato monossódico), dependentes do dinheiro alheio porque não aprenderam sequer a trabalhar, a meu ver, chama-se prisão domiciliar voluntária. E a gente chamava tudo isso de caduquice e era de uso exclusivos dos idosos.

Erramos em trazer o peixe que eles nos viram pescar mas não puseram suas mãozinhas na lida. Agora eles exigem os pescados prontos para o deguste e temos a tarefa de não propagar uma próxima geração assim ou pior ainda. Mas, a pergunta perdida no vento é: como se faz gente de verdade? 

Perdemos a receita da vovó.

O leite já derramou e nos cabe apenas tentar equivaler o que restou do indivíduo humano.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Egoismice

 O estranho do egoísmo, que já nem devia ser estranho, é que ele diminui tudo o que está fora do ser...

Amor, vira obcessão...

Cuidado vira chatisse...

Preocupação então, vira neurose...

A beleza incomoda,


O sucesso é provocação...

O encanto pelo afeto vira viscosidade...

Até a bondade é tida por interesse ou insanidade.

Por essas e outras é que afirmo ser o egoísmo não um 'mal', mas um desencadeador de muitos males. (ECL)

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Por mérito?

 Quem merece ser amado? Quem merece seu verdadeiro e sincero amor? Falo de cuidados,  de atenção,  ajuda, favor, entrega, preocupação real, empatia... 

A sociedade diz que os que são  bons de coração  merecem.

O orgulho humano individual  diz que  uns sim, outros não,  se alguém der uma  "pisada" de bola, pronto. Já  não merece.

Bom, estive dando uma breve olhadela no aspecto bíblico do assunto  e... bem, na verdade, pasmem, NINGUÉM  é  merecedor de amor. Não  há  nada  bom o suficiente  que um ser humano  faça que o torne merecedor de amor, nem mesmo  do amor Divino. 

Mas existe uma parte do amor chamada "graça" ou, favor, que se não  existir decompõe a fórmula,  então,  não é amor. 

Amor é  um presente e não há  nada tão mal que alguém faça  que o desabone ao recebimento de amor, principalmente o Divino.

Não  é  por mérito,  é  um presente.

Há um dito do qual desconheço o autor:

"Ame-me quando eu  menos merecer, pois será  quando mais precisarei."

Existem alguns humanos a quem escolhi dar esse presente. E não pretendo retira-lo, apesar de ja ter sentido inumeras vezes o momento exato em que alguém  decidiu que não sou ' merecedora' de seu "amor".

Não sou melhor que ninguém por agir assim,  só sofro bem mais (risos).

Mas sou fã  incondicional de um Ser  que age assim. 

Se não fosse por Seu amor quando eu menos mereço,  não  haveria mais eu há  muito tempo. 



sábado, 7 de novembro de 2020

Amo você mais que tudo, mas tenho que viver a centenas de km...

 Como pode? O entender é algo que  nenhuma civilização  completou com sucesso.  E não falo de conhecimento.  Entender,  compreender  é  um mistério.  Cada mente entende uma mesma situação  de maneiras diferentes,  não  raro, antagônicas.  No meu simples entender,  um objeto ao qual se ame,  digo, um ser talvez, ao qual se ame, haverá  de ser cuidado  com  esmero,  deve ser algo de que se deseje estar perto, cuidar, ajudar, manter, admirar e comemorar cada etapa de tal crescimento com sucesso, ou estar lá com um bom abraço e talvez um chocolate, um café  ou apenas um cólo se algo saiu errado.

Mas recentemente  o que presencio é  um ser implorando apenas atenção.  Ao passo que o autoproclamado "amante incondicional " ignora, dista-se centenas de quilômetros  causando algumas incertezas  na tenra mente.

O que  intriga meu ventre pulsante por um bom chacoalhão neste ser é : seria a verdade mesmo subjetiva e temporal? Ou seja, esse ser em sofrimento  pela falta de seu "amante incondicional" é  apenas questão  de  ótica?

Haverão ainda algumas lágrimas  no chuveiro e alguns soluços  nos travesseiro até  que eu compreenda. 

E deveria ser mestrada neste assunto. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Nem tudo são flores. ...

 Se alguém  algum dia ler isso,  saiba que estou em sofrimento. ...

Ainda que não se importe, saiba que  não encontrei nada  bom e luminoso no "mundo ", que o sofrimento  seca meus ossos  pelo mal que muitas vezes escollhi sem pensar nas consequências. Nem nas pessoas que também sofreriam, já que ninguém é uma ilha.  

Se você estiver lendo isso e me conhece, saiba que poucas coisas doem mais que ver pesssoas que são  suas referências, desistindo ou cansando de esperar a perfeição que jamais virá. 

Se não me conhece saiba que isso vale pra você também,  e que não,  não pretendendo tirar minha vida ou coisa assim,  apenas escrevo para registrar o sofrimento. 

O sofrimento alheio costuma passar desapercebido  a menos que seja socialmente catastrófico.  O que é  um mal quase pior que o próprio sofrimento.  

Ignorar o sofrimento não  acaba com ele. Ele tem vários pesos, vários tamanhos, vários formatos. O sofrimento é  como o pecado. Cada um tem o seu, cada um o sente ou o carrega de uma forma. Não é porque uma mosca não te incomoda que ela não é  um sofrimento quase mortal para alguém. 

Neste momento,  alguém que você ama ou desconhece sofre a gotas de morte talvez até mesmo ao seu lado e você, ou não sabe, ou não  se importa e pode perder a oportunidade  única de salvar alguém  de uma depressão,  ou de um quadro de angústia,  ou da morte.

E é  tão fácil  ajudar a  diminuir o sofrimento. ...

Basta mostrar de qualquer forma.  Qualquer mesmo. Mostrar que você se importa. 

Sermões,  lições de moral  e afins  não  ajudam e ainda apimentam o quadro com a culpa  ou a raiva.

Não,  o sofrimento em nenhum aspecto  é bom. Nem mesmo útil.  Apenas corrosivo e letal.

O maior ser humano da história  morreu de  sofrimento  e bem poucos se importaram.

O problema de se importar com o sofrimento alheio  é  que isso também é sofrer.

Círculo vicioso? 

Não sei. Prefiro pensar em empatia.

Neste momento, o meu sofrimento  me faz querer desistir. De tudo. De todos. 

E o seu?

domingo, 5 de julho de 2020

Mas heim?

E de repente noto que vivo num mundo paralelo. Que a realidade não é tão real. E inclusive não me interessa tanto assim. Pois se com os pés no chão sofro humilhação, desamor, indiferença; com a cabeça nas nuvens recebo elogios sinceros, toda a expressão do amor, sou realmente importante. 
Encontro refúgio e alento fugindo do espelho, do foco de luz, da pisada firme. Meus pés ao chão encontraram apenas o tropeço, a dor e a queda. Enquanto minha cabeça nas nuvens me deu o flutuar, o dissolver-se, o desaguar abençoado. Frio, as vezes, solitário, talvez. Mas bem menos impactante para quem eu quero realmente poupar dos embates que a realidade dura e cruel trouxe:a mim mesma. Sim, eu importo. Sou importante ao menos pra mim. O que eu penso, sinto, sofro, os processos, os porquês, tudo importa pra mim. Duro me foi esperar que outros tivessem o mesmo sentimento. Pior foi ver que eu tenho pelos outros o que estes não tem por mim. Pois para "geral", o que importa são os resultados. APENAS. 
Mas agora, eu já sei. Agora, já compreendi. Sigo, e vivo, com o que chamam de cabeça nas nuvens, ou virada. Quando tiver seus resultados, levo, apresento e volto para a minha bolha de auto contentamento. Pois para mim, eu importo sim.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Em definição

Inúmeras são as tentativas de definir amizade - a palavra.
Empreendi algum tempo a refletir sobre esse fenômeno social fracassado, contaminado e infestado de definições pretensiosas e circunstanciais.
Embarquei nesta corrida apenas como uma maratonista a mais, já que também não obtive sucesso, pois não cheguei sequer perto de algo novo, original ou coeso, digno de ser denominado: DEFINIÇÃO REAL E ATUALIZADA DE AMIZADE - A PALAVRA. Então tive um insight: estava numa busca anexa, no sentido literal pleno da palavra, sendo, sem nexo. Buscar definição para a palavra amizade restringe-se ao dicionário, idioma literal, com suas colocações gramaticais e classificativas, sintetizando a palavra, sua origem, o que a completa, sinônimos, etc.
Minha busca particular se tratava do etéreo, do invisível, portanto, indefinível à tradução gramatical.
Amizade é sentida, vivida, oferecida, recebida. Consegui ao menos entender, na prática, em profunda introspecção e meditando sobre as diversas relações que tenho o privilégio de desfrutar, que amizade é o formato mais livre do amor. Sem amarras, sem rótulos, não cabe em conceitos e pré-conceitos, sendo a forma mais livre e irreverente de amar, é desprendida de compromissos sociais, civis, legais, étnicos, religiosos... a amizade desconhece fronteiras ou limites. É atrevida e desrespeita muros como tempo e distância. O Deus Filho se autodenominou "amigo mais chegado que um
irmão", pois na forma mais livre de amar, contrariou a razão e a própria natureza.
Amizade é amor livre, pleno, insano, desde sempre, para sempre, nem demais, nem de menos, suficiente e solto.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Totalmente vazios

A capacidade humana de amar qualquer tipo de poder, ainda que este poder (e não raro,
principalmente por isso) seja manipular emoções, muito me entristece. Vejo que toda a forma de tentativas e investidas para direcionar a emoção alheia, ainda que despretensiosa, é manipulação. Se seu bebê machuca um dedinho, antes que ele chore você o induz a isso:"_Tadinho do bebê, fez dodói". depois o induz a sentir-se ridículo por sofrer por 'tão pouco':"Ah, não chora, não foi nada".
Em síntese, o ser humano é desprezivelmente minimista com as emoções alheias. Vitórias são comemoradas por máscaras, tristezas consoladas por controle remoto; minha dor sempre é maior que a do outro.
Enquanto se incomodar com o cisco no olho do irmão e engolir bois forem especialidades dos ditos "donos da razão", sempre haverá traves cravadas em seu próprios olhos e asfixia por se engasgarem com mosquitos.
Olha e vigia!
Se a dor ou a vitória alheias fazem cócegas no seu ego e te faz tripudiar em 'sábios conselhos' sobre aquilo que geralmente desconhece, talvez você também precise de ajuda. Sim, essa mesma ajuda que o espírito abatido busca quando se curva para te dar a oportunidade de auxilia-lo, é para que você cresça, na verdade.
Pobres seres, dignos de piedade, tão cheios de si mesmos que são totalmente vazios.
 Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;
Romanos 12:15
Fica a dica...

Em queda.....

Aos olhos ávidos da sociedade de rapina
Sigo caindo neste, que pode ser meu ultimo tombo
Aguardando ansiosa pelo fim do abismo
Para onde fui covardemente lançada
Confesso que estava muito próxima da beira
Ensaiando um voo que jamais aconteceria
Reconheço que meus sentidos (os seis) me alertaram sobre a possibilidade de queda
Mas pensei em vertigem ou escorregão
Talvez até desfalecimento por se esgotarem as forças
Contudo não me preparei para ser empurrada
E cá estou a cair
Descobri que até para esperar o chão preciso de paz


Quando chegar o fim do abismo, aviso.
E poderão soltar os corvos e abutres
É provável que eu morra e apodreça até que cheguem os carniceiros
Ou talvez sobreviva para espanta-los com minha vida ainda pulsante e sangue quente correndo
Não sei o que esperar
então apenas me deixem cair em paz.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Apenas

E de repente conheci um anjo. Não o meu, sei lá. O de alguém. Mas anjo sim. Sem fronteiras para amar verdadeiramente como se deve ao semelhante. Um seguidor do dito 'mandamento maior'. Seu maior poder descrevo como 'olhar atravessador de minha alma'. Apenas olha e a tudo vê. E por tudo ver, tudo sentir. E por tudo sentir, tudo sofrer. E por tudo sofrer, totalmente compreender. E por isso, totalmente amar. Cabe-me a difícil tarefa por lembrá-lo de ser anjo, e com isso lembrar a mim também. Pois facilmente poderíamos nos esquecer que anjos tem missão, e iríamos querer a perpetuação e/ou continuidade e aprofundamento dos afetos. Catástrofe descomunal. Anjo. Só anjo. Apenas anjo. Mas que anjo!

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Intocável


Ele é dono de sua masculinidade. Desfila sua aparência controversa de homão-moleque, com esse porte de medidas harmônicas, esse olhar pedinte, requisitante, insatisfeito, inconformado, sempre querendo mais do que lhe é ofertado. 

Ele é forte de dentro para fora e de fora para dentro. 
A vida cumpre seus caprichos, se curva ao seu humor primaveril. 
Tal qual o vento, que sendo forte impõe respeito e temor, sendo suave imprime alegria e frescor; ele é ótimo em seus extremos.
Seu olhar profundo é instigante e sem inocência.
Seu sorriso imperativo é um convite constante.
Seu abraço forte é um atentado ao meu auto-controle.
Ele é tudo o que se quer.
Artigo de vitrine... intocável.

Lembranças


Lembranças são dádivas. 

Sejam elas boas ou não.
Sendo boas nos abençoam com flashes emocionantes de momentos, lugares, pessoas, ocasiões que nos fizeram bem e permanecem como boas recordações a nos acalentar o coração.
Sendo ruins nos abençoam levando o espírito à reflexão de como não fazer algo, sobre nossos medos, que acabam nos guiando seguros; sobre como ser fortes em tempos difíceis.
Lembranças são sempre bençãos.
As boas nos trazem alegria e saudade. 
As ruins nos trazem aprendizado e sobriedade.
Portanto, lembranças são dádivas, sejam elas boas ou não.

Vida Jovem

Ser jovem é trazer no corpo a força da vida esculpida no corpo em detalhes nada barrocos.
É alargar as fronteiras da alegria, sem local e hora combinados ou impostos. É não ter endereço fixo para a firmeza que hora é etérea, hora física.
É contaminar o entorno com uma pandemia de desejo e prazer quase sem cura.
É sair de trás da máscara do pudor e expor a alma como uma tela de Picasso... linda, intrigante, prazerosa, desejável.
O ser jovem tem idioma próprio, renova e redireciona as gerações com suas descobertas temporariamente absurdas.
a vida em sua melhor forma é jovem. 
Enjoy!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Casal Casual

Um cheiro de paixão invade o ar A luxuriosa luminescência resplandece no olhar Ele, o proibido irresistível. Ela, a atrevida disfarçada. Ambos despem-se do pudor já sem mais notar. Nem mais percebem que os afetos acalorados dominam-lhes os sentidos. E explodem em sorrisos, risos e olhares penetrantes. Descaradamente, almas nuas à vista de todos. Todos os que quiserem notar, perceber, entender. A esta altura nem lhes importa. Ao separar-se, ele volta à sua toca bem protegida. Ela fecha-se em sua mascara cabisbaixa e carrancuda. Assim seguem, até que mais uma lua se mude. E tornam a sair de seus personagens brilhantemente interpretados de bom moço e socialite. Que belo espetáculo de hipocrisia disfarçado de ética social. Merda!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Pérolas aos porcos...


A vida tem umas voltas peculiares. Num dia você está aos pés de Gamaliel, no outro, dando pérolas aos porcos. Ora subindo, ora descendo. Concordo que o conhecimento deve ser compartilhado, mas há o momento de se fazer de tolo com os tolos para não ser de fato um tolo. Ou seja, a sabedoria não é para os tolos. Porcos não usam pérolas. Às vezes convém guardar.

sábado, 12 de agosto de 2017

Você é o presente!


Conheço alguém viral, que contagia até quem não quer
Com sua alegria, simpatia, suas manias, seu jeito "free" de ser...
Conheço alguém que determina desde o que vai vestir até o que vai sentir
Sujeitando a vida a seu mando e os sentimentos a obedecerem seus caprichos...
Conheço alguém que assume intensamente seu papel de leoa, circunstanciando o restante da 'selva' a seu redor com firmeza, bom senso, ponderação, bom humor, uma força imensa e digna de admiração...
Conheço alguém que passa pelo fogo com classe, que batalha sobre um salto e desfila com sua taça vitoriosa ao final de cada dia...
Conheço alguém que precisa de um peito bem maior para caber tamanho coração
Dona de sentimentos nobres, que se transforma em heroína pelo próximo, seus irmãos...
Sim, sou privilegiada por conhecer essa pessoa tão especial, inspiradora e contagiante que nos faz querer estar sempre perto, pra absorver qualquer uma de suas tantas virtudes e desfrutar o prazer de sua companhia...
O aniversário é seu, mas quem te tem por perto é que recebe o presente... Obrigada Eliana Castro! Felicidades mil sempre!!!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Retrato

A frustração promove rugas.
Rugas no rosto, rugas no coração, rugas na alma.
Olheiras se fixam e não há cosmético ou mandinga que amenize a aparência cansada de uma pessoa frustrada.
Sei porque tenho espelhos em casa.
O sorriso perde o sentido. Não há lógica em expressar uma alegria que não existe.
É um fruto amargo, feio e quase podre que a vida nos obriga a engolir como pagamento por espectativas que nunca deveriam ter sido criadas.
Um sonho da juventude que não foi realizado, oportunidades e prêmios que a vida trouxe e que foram perdidos ou desperdiçados, planos e projetos baseados apenas em fé... Relacionamentos irreais, surreais, desiguais. Juras e auto afirmações jogadas por terra. Batalhas inúmeras vencidas e no final, guerra perdida. Princípios sólidos pisoteados. Impotência diante das injustiças promovidas pela vida.
De repente o ser passa a sentir-se otário diante de sua própria vida.
Porquê lutei? Porquê sonhei? Para quê tanto trabalhei?
E ter que se apegar a migalhas de alegrias superficiais para não congelar a musculatura facial em molde de tristeza, sem esboço de emoção - já que tudo se tornou fútil, banal e sem graça, insípido, inodoro, incolor.
Força para continuar chega a parecer falta de coragem de parar. E saber que não precisaria mudar o passado para voltar a ter gosto pela vida. Pequenos ajustes, boa vontade e cumprimento de promessas. Sim, promessas. Essas agentes do mal que circulam a esperança o tempo todo alimentando-a e enfim, dão cabo dela ao se retirarem devagarinho, juntarem-se num grupinho lá no fundo do consciente e gargalharem enquanto a vêem se debater até quase morrer. Promessas não cumpridas são um punhal cravado pelas costas. Matam, mas bem lentamente. A frustração é o retrato da desilusão geral, começando por si mesmo, sem destino final.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Fins!

O fim de uma história nem sempre é no final...
Como?
Não sei bem como explicar, apenas constatei, que cada dia vivemos um fim.
O fim de uma espera, o fim de uma espectativa, o fim de um suspiro...
Fins que formam um atalho rude para o final prematuro.

Se não houvessem tantos fins, o verdadeiro final poderia não ser hoje, ou amanhã. Talvez nem houvesse esse final...
Mas a cada fim, uma parte pulsante se cala.
Um prazer morre.
Um sabor se desfaz.
E esses fins vão se juntando numa vala, onde as moscas do desgosto colocam seus ovos e acabam por apodrecer definitivamente qualquer chance de não acabar, não morrer, não haver o derradeiro final.
Que destino para um fim!

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